Violência justifica violência?

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“A lei de talião, do latim lex talionis  também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. É uma das mais antigas leis existentes.”
Sabemos que a violência alcançou um patamar absurdo e revoltante no Brasil. Sabemos também que a certeza da impunidade também faz com que sejamos um país a cada dia mais violento. Mas recorrer à justiça desproporcional e irracional seria a solução? 
Apesar da revolta que sentimos ao ver os índices crescentes de violência, é necessário usar formas legais para cobrar providências de forma justa e coerente. Do contrário, brevemente estaremos diante de uma guerra civil. Vejam só esta notícia:
Jovem negro é espancado e apedrejado até a morte no Espírito Santohttp://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/jovem-negro-e-espancado-e-apedrejado-ate-morte-espirito-santo.html

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Pois é… A responsabilidade para resolver os problemas com a violência está sendo transferida para a sociedade.

A incompetência e má-vontade dos governantes para combater o mal pela raiz está fazendo com que a vítima de estupro seja a “culpada” pelo abuso que sofreu, com que menores de idade sejam espancados como medida de “justiça” e fazendo com que o povo clame pela redução da maioridade penal como se fosse resolver o problema da segurança pública.

A propósito, o adolescente de 15 anos que foi preso com uma tranca de bicicleta, pelo pescoço, a um poste no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, foi pego novamente assaltando…

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/02/1407239-adolescente-e-agredido-a-pauladas-e-acorrentado-nu-a-poste-na-zona-sul-do-rio.shtml

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“A apresentadora do SBT, Rachel Sheherazade, fez um discurso em defesa dos “justiceiros” que surraram e prenderam um menor infrator a um poste no Rio de Janeiro. Não causa surpresa que ela esteja sendo amplamente aplaudida nas redes sociais. O nível de violência a que chegamos produz essa insensatez coletiva.” 

Mas se entrarmos nesse jogo, passaremos a  fazer o papel de justiceiro, retrocedendo nas conquistas históricas da verdadeira justiça. Deixamos de protestar, de ir às ruas, de exigir e cobrar as mudanças necessárias nas leis, no sistema carcerário, enfim… passamos a nos preocupar mais com o remédio do que com a prevenção para o problema.

Se na busca pela justiça, sujarmos nossas mãos de sangue, espancando e assassinando os bandidos, nos tornamos injustos e assassinos também. Se considerarmos que os princípios de justiça e igualdade garantidos pela Constituição não são válidos para todos, não só perdermos o foco, como perderemos também os olhos, os dentes e a própria dignidade.

olho-por-olho

Camila Vaz

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